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19 de Novembro de 2017
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    Atriz Heloisa Jorge é a convidada do Conversa com Roseann Kennedy desta segunda

    Agência Brasil
    Publicado por Agência Brasil
    há 6 meses

    A atriz Heloisa Jorge é a entrevistada no programa Conversa com Roseann Kennedy, que vai ao ar na próxima segunda-feira (22), às 21h30, na TV Brasil. No programa, o telespectador vai conhecer um pouco da vida de Heloisa, que chegou ao Brasil como refugiada, fugindo da guerra civil de Angola, e agora desponta como revelação no teatro e na televisão dos dois países. Ela é a protagonista da novela angolana Jikulumessu, que estreia na TV Brasil no próximo dia 25.

    No bate-papo com Roseann, a atriz convida os brasileiros a conhecerem a realidade do Continente Africano, dos países em guerra, e a abrir os olhos para enfrentar preconceitos. A novela Jikulumessu, que significa "abre o olho", provocou boas discussões nos países onde já foi exibida: Angola e Portugal. Na trama, Heloísa faz o papel de Djamila Pereira, uma jovem que sonha ser uma cantora famosa.

    Heloisa Jorge, que também interpretou a empresária angolana Laura e contracenou com o ator Reinaldo Gianecchini em A Lei do Amor, da TV Globo, abordou a questão da restrição dos papéis para artistas negros na teledramaturgia brasileira.

    “Não é você fazer escravo, você fazer empregada, mas é você não fazer só isso. E, na televisão brasileira, a gente sabe que o ator e a atriz negros estão condicionados a esses papéis. Porque eu acho que quem escreve, quem produz elenco, não imagina que o ator e a atriz negros possam fazer a advogada, a engenheira, a executiva bem-sucedida, como eu fiz agora... E a Laura era maravilhosa", disse.

    De acordo com a atriz, interpretar a personagem Laura foi muito gratificante."As mensagens que eu recebia eram sempre muito positivas. Principalmente de mulheres negras, em que elas falavam: você está nos representando".

    Heloisa, que veio para o Brasil como refugiada, relembra o episódio que marcou a sua vida."Foi uma das experiências mais tristes da minha vida porque eu não queria sair de Angola. Eu não vim porque eu quis. Eu não queria deixar a minha mãe. Eu não queria deixar os meus irmãos. Eu não queria deixar a minha família. E de alguma forma foi um rompimento”, diz. “Apesar de ter vivido num país em guerra, eu naturalizei aquilo, aquela era a minha realidade. E, ao contrário do que as pessoas pensam de um país que está em guerra, as pessoas têm uma vida mesmo com a guerra", acrescenta.

    A atriz diz à jornalista Roseann Kennedy que se reconhece como fruto de duas culturas: brasileira e angolana. E revela que, ao transitar entre esses dois mundos, já se deparou com situações de preconceito. Heloisa observa que a população não está acostumada a ver pessoas negras na zona sul do Rio de Janeiro e conta que já chegou a ser confundida com empregada doméstica em seu próprio prédio.

    Serena e ao mesmo tempo firme, Heloisa demonstra atitude quando fala desse tema: “O brasileiro, quando olha para alguém que vem do Continente Africano, ele não humaniza essa pessoa. Eu falo isso com muita tranquilidade, e não é crítica. Falo porque vivi". Quando o assunto é o seu país de origem, a atriz revela que já ouviu muitas coisas desagradáveis: "Eu era a africana, e os colegas perguntavam: ah, você andava de elefante? Você andava de girafa? Lá tem prédio? Lá tem carro? Na época, eu achava que eram perguntas provocativas, mas não eram. Era um profundo desconhecimento do brasileiro pelo Continente Africano.”

    A atriz, que tem paixão pelo teatro, está em cartaz com a peça RACE, até o dia 31 deste mês, no Teatro Viga, em São Paulo.

    Edição: Aécio Amado

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