Paulo Virgilio
Repórter da Agência Brasil
Rio de Janeiro - O Ministério Público Federal (MPF) no Rio de Janeiro denunciou duas mulheres pelo furto do livro Histoire des Oiseaux du Brésil (História dos pássaros do Brasil). O livro é de 1852 e pertence ao acervo da biblioteca da Faculdade de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Se forem condenadas, as duas podem passar de dois a oito anos de prisão.
O crime ocorreu em fevereiro de 2006, quando Iwaloo Cristina Sakamoto e Verônica da Silva Santos entraram na biblioteca usando os pseudônimos de Júlia e Fátima, solicitaram o livro para consulta e furtaram a obra rara. De acordo com a denúncia, testemunhas ouvidas na investigação da Polícia Federal, disseram que Iwaloo e Verônica teriam comparecido à biblioteca por três vezes, antes de cometerem o crime.
As falsas pesquisadoras tiveram suas identidades reveladas a partir da identificação do homem que as teria acompanhado em uma dessas visitas, Laéssio Rodrigues de Oliveira, bem como pelo número de celular que uma delas informou ao retirar o livro para consulta. Segundo o MPF, Laéssio esteve envolvido em diversos furtos em museus e bibliotecas.
Na denúncia enviada à Justiça Federal, o Ministério Público faz menção a uma cópia do documento de controle de entrada de leitores da Biblioteca Nacional, onde ambas, com seus nomes verdadeiros, estiveram na véspera de sua primeira visita à biblioteca da Faculdade de Belas Artes da UFRJ. Ao serem interrogadas no inquérito policial, as duas suspeitas negaram o furto, embora uma delas tenha sido reconhecida por uma bibliotecária da universidade.
De acordo com o procurador da República José Guilherme Ferraz, responsável pela denúncia, a Polícia Federal tem obtido êxito em identificar os autores em vários casos de furto de obras raras ocorridos no Rio de Janeiro, a despeito das variadas estratégias empregadas pelos responsáveis por esse tipo de delito.
Ferraz alertou ao público em geral, e em especial aos que atuam no mercado de bens culturais, para que comuniquem ao MPF caso tenham conhecimento do paradeiro da obra furtada, bem como de outras que tenham sido alvo de crimes similares. Se alguém vier a adquiri-las com ciência de sua procedência ilícita poderá responder por crime de receptação, lembrou o procurador.
Edição Beto Coura
bueno 02 de Janeiro de 2013
E os livros, foram recuperados?
Teresinha Winter 3 de Janeiro de 2013 - 10:56:54
Pelo jeito, não. E não dão mais informações, também.
Leandro Michelsen 3 de Janeiro de 2013 - 12:13:27
"comuniquem ao MPF caso tenham conhecimento do paradeiro da obra furtada, bem como de outras que tenham sido alvo de crimes similares", quer dizer, se elas negaram o crime, é claro que não vão dizer onde os livros estão. Portanto, vamos ficar atentos, e informar às autoridades o paradeiro de obras que possam ser fruto deste tipo de crime. Afinal de contas, estes itens pertencem à sociedade, e não podem, portanto, estar na prateleira de algum colecionador.
Teresinha Winter 03 de Janeiro de 2013
Até parece que eu vou acreditar que as pessoas vão dar informações. Esse tipo de roubo passa por bem poucas mãos. Geralmente, vão direto pras mãos do "cliente". Ele paga e "bye, bye". Ninguém sabe, ninguém viu. E a obra fica bem escondida na casa do "colecionador", pra não chamar de "ladrão", ou será "receptador"? Ah! Claro, o cara é muuuuuito rico!
João Paulo... 5 de Janeiro de 2013 - 12:06:32
Em Mariana, no Arquivo Eclesiástico da Arquidiocese sumiu um livro de casamentos da Freguesia da Sé 1807-1857, e se não fossem os Mórmons tê-lo microfilmado e posto na net, seria impossível consultá-lo.
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